terça-feira, 1 de julho de 2008

PNUD apresenta informe sobre desigualdades no país

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgou, na última sexta-feira, o Relatório Nacional de Desenvolvimento Humano 2008, sobre as desigualdades econômicas no Paraguai. De acordo com o documento "A igualdade para o desenvolvimento no Paraguai", 10% dos mais ricos do país, concentram 40% da renda.

E 40% dos mais pobres concentram só 12% da renda. Assim, quase 2,5 milhões de pessoas vivem com uma renda média inferior a Gs. 250 mil por mês. No ano passado, a economia paraguaia cresceu 6,8%, enquanto a pobreza extrema aumentou de 15,4 para 19,4%. Segundo o Informe, a desigualdade na distribuição da renda também aumentou.

A concentração de terra também é um reflexo dessas desigualdades: 1% das maiores explorações rurais (3.200 explorações) possui 77% das terras, enquanto 37% das explorações menores (115.000 explorações) possuem 1% das terras.

A relação entre discriminação e desigualdade se faz evidente no nível de educação da população. No Paraguai, uma mulher rural guaraní-falante pobre tem 3 anos de educação, enquanto que um homem urbano hispano-falante rico tem 14 anos de educação. De acordo com 90% dos entrevistados do Relatório, as desigualdades existentes no Paraguai são vergonhosas ou más.

Para o pesquisador social José Carlos Rodríguez, o relatório pode converter-se em um Vademecum do bom governo. "No momento em que se edita, está destinado à vocação de mudança. Pois analisa os problemas básicos do país e os aprofunda, mostrado seus antecedentes, e seu sentido. Articula-os, mostrando que os problemas formam um círculo vicioso de conjunto".

Com o Relatório, os pesquisadores buscam conhecer as desigualdades, suas características e efeitos. "Como as desigualdades são um tema complexo, mas indispensável para o desenvolvimento do Paraguai, requerem uma abordagem múltipla e integral, reflexão que nos leva além do Estado e nos impõe um pacto social que possibilite e promova o desenvolvimento de políticas públicas adequadas desde e para as pessoas".

O Relatório apontou ainda que os paraguaios estão sem esperança a respeito do futuro de seus filhos e desencantados com os resultados da democracia. As pessoas excluídas aceitam melhor um governo autoritário. Para o Pnud, isso constitui um risco para o futuro.

Durante a apresentação do documento, o representante do Programa d Onu, Lorenzo Jiménez de Luis, disse que o desafio maior do governo de Fernando Lugo - que começará em agosto - é reduzir a desigualdade. Pois o país ainda tem um precário sistema de saúde e crianças fora da escola.


Adital.

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