quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Farmácia em Porto Alegre anuncia remédio "para enganar bafômetro"

Uma farmácia de Porto Alegre foi notificada por anunciar um remédio, segundo ela, capaz de "enganar o bafômetro". Teste do CRF-RS (Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul) constatou que o medicamento, indicado para o tratamento de alcoolismo crônico, não só não causou "eliminação do álcool do organismo", como anunciava um cartaz na loja, como aumentou o índice da substância no sangue.

Além do estabelecimento, foram notificados ontem pelo conselho dois farmacêuticos por manter o cartaz no local.

No anúncio, colado no visor de uma balança na entrada da farmácia, havia a palavra "bafômetro" em destaque. Abaixo, um texto mostrando como o medicamento poderia "enganar o bafômetro" com a "eliminação do álcool do organismo".

De acordo com a denúncia feita ao conselho, a venda do remédio, de tarja vermelha, era também estimulada pelos vendedores e realizada sem o pedido da prescrição médica.

"Fizemos testes e verificamos que os índices de álcool no sangue do voluntário chegaram a aumentar após a administração do medicamento, da maneira como era indicada no anúncio", disse o presidente do CRF-RS, Juliano da Rocha.

Segundo ele, os farmacêuticos foram notificados por falta de ética profissional, estímulo à automedicação e propaganda enganosa, entre outros. Eles serão submetidos a um processo e, se forem considerados culpados, poderão ter suspensão de três a 12 meses. "Além de estimular o consumo de álcool e induzir as pessoas a desrespeitar a lei, o anúncio estimula a automedicação", afirmou Rocha.

Mal-entendido

A farmácia, no bairro Menino Deus, também foi notificada por vender medicamentos sem prescrição médica e por fazer anúncio de remédios que só podem ser vendidos com receita.

O CRF-RS encaminhou a denúncia à Vigilância Sanitária de Porto Alegre, que pode determinar a interdição da farmácia.

O procurador da loja, Antônio Francisco Fonseca (a proprietária, filha dele, está viajando), disse que não sabe como o anúncio foi parar no local. "Foi alguém que colocou o cartaz. Talvez por brincadeira. Estou procurando nas imagens das câmeras de vigilância quem colocou, pois nem os farmacêuticos tinham visto o cartaz."

Segundo ele, desde que o medicamento foi lançado, há pouco mais de um mês, apenas quatro ou cinco caixas foram vendidas. Cada uma, com 30 comprimidos, custa cerca de R$ 35. "Não fugimos da responsabilidade do que aconteceu na empresa. Queremos resolver este mal-entendido", disse Fonseca.

Folha de São Paulo.

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