sábado, 30 de março de 2019

Condenados à prisão perpétua pedem pela pena de morte na Itália

Mais de 300 presos dizem estar cansados de morrer um pouco cada dia.

Todos assinaram carta enviada ao presidente italiano.

Mais de 300 detentos condenados à prisão perpétua na Itália escreveram uma carta ao presidente da república, Giorgio Napolitano, solicitando o restabelecimento da pena de morte.

"Senhor presidente da república, estamos cansados de morrer um pouco cada dia. Decidimos morrer de uma só vez e pedimos que nossa pena à prisão perpétua seja transformada em pena de morte", afirma o texto assinado por 310 réus e publicado no jornal 'La Repubblica'.

A prisão perpétua, instaurada em 1930, é a pena mais severa do país após a abolição da pena de morte imediatamente depois da Segunda Guerra Mundial.

"A perpetuidade é uma invenção de alguém, não de Deus, de uma selvageria que supera qualquer imaginação. É uma morte que se bebe a pequenas doses. É uma vitória sobre a morte porque é mais forte que a própria morte", acrescentam os detentos. 

Segundo o jornal, 1.294 pessoas foram condenadas à pena capital na Itália, 25 delas mulheres. Deste total, 94 pessoas já passaram entre 21 e 25 anos na prisão e outras 97 mais de 26 anos. 

Os prisioneiros afirmam que não estão mortos, mas tampouco vivos. 

Mesmo com uma condenação à prisão perpétua é possível obter permissões de saída após 10 anos, a semiliberdade ao fim de 20 anos e a liberdade condicional depois de 26 anos no caso de bom comportamento, lembra o jornal. 

Maria Luisa Boccia, senadora comunista, apresentou um projeto de lei que prevê a abolição da prisão perpétua e a substituição da mesma por penas, por exemplo, de 30 anos. 

O presidente italiano respondeu à carta através de seu gabinete e afirmou que acompanha com grande atenção o assunto, mas que o mesmo é de competência direta do Parlamento e do governo. 



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