sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Psicopatas nem sempre agem com violência, alertam especialistas

Tema foi discutido nesta quarta-feira na Câmara dos Deputados
A imagem mais comum que se tem do psicopata é do serial killer dos filmes de Hollywood. Mas especialistas reunidos nesta quarta-feira (17) em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias alertaram: ele pode estar em qualquer lugar, e a condição é hereditária.
Cientistas brasileiros, por meio de exames de imagem, já mostraram que o psicopata tem pouco desenvolvida a área do cérebro responsável pelas emoções. O resultado, segundo Hilda Morana, da Associação Brasileira de Psiquiatria, é um indivíduo que não tem empatia, ou seja, é indiferente às outras pessoas.
Najara Araujo/Câmara dos Deputados
Audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. ANA BEATRIZ BARBOSA SILVA
Ana Beatriz Barbosa Silva: todo corrupto contumaz traz consigo traços de psicopatia, pois revela indifereça com a população
“O psicopata não desenvolveu a capacidade de gostar do outro. Por isso, ele tem uma individualidade muito premente, que precisa ser satisfeita de forma intensa”, explicou.
Corrupção
Os debatedores acrescentaram que a grande maioria dos psicopatas não têm ficha criminal, estando presentes em várias profissões, inclusive em cargos de chefia.

A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do livro “Mentes Perigosas”, um best-seller sobre o tema, lembrou que, embora sejam minoria na sociedade, os psicopatas podem fazer um grande estrago, mesmo quando não usam violência, como nos casos de corrupção.
“Todo corruptor contumaz, na minha opinião, é um psicopata. Porque há uma indiferença com a população, há uma inconsequência com seus atos no sentido de não ver o que está tirando do outro”, explicou.
Presidiários
Alguns cometem crimes inexplicáveis, e não sentem culpa nem desconforto. Se, na população em geral, a porcentagem de psicopatas varia entre 1% e 3%, eles ocupam 20% das vagas das prisões em todo o País.

Para o deputado Adelmo Carneiro Leão (PT-MG), que é médico, esse dado é um alerta que justificaria uma interferência no sistema prisional. “Na lógica da construção de uma sociedade verdadeiramente humanista, o psicopata, com todas as suas limitações e a sua condição, ele precisa ser tratado como também um ser humano, por mais insensível que seja”, disse.
Comportamento
Na audiência pública, a representante do Conselho Federal de Psicologia, Juliana Ferreira da Silva, discordou da análise feita pelas psiquiatras sobre os indivíduos sociopatas, aqueles que têm transtorno de personalidade antissocial.

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Ela ressaltou que o que é considerado normal, em termos de comportamento, vai sendo construído e modificado ao longo do tempo pela sociedade. E que mesmo cidadãos com características consideradas “desviantes” não devem ser considerados como diferentes apenas com base em dados biológicos.
Conceitos
Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, tanto a psicopatia como a sociopatia são consideradas como transtornos antissociais e têm muitas características semelhantes, o que explica o fato de muitas vezes serem vistos como sinônimos.

Há muitos traços em comum, como a desconsideração por leis, normas sociais e direitos de outras pessoas; falta de sentimento de culpa; e comportamento hostil.
Uma das principais diferenças é que frequentemente os psicopatas são considerados pessoas encantadoras e populares, que muitas vezes exercem cargos de liderança e conseguem atrair pessoas para elas próprias. Já o sociopata, embora seja capaz de fingir ou forçar sentimentos, não é muito bom em contextos sociais.
Reportagem – Cláudio Ferreira
Edição – Marcelo Oliveira

Presídios femininos têm 466 grávidas ou lactantes

Do total, 294 eram gestantes e 172 amamentam seus filhos em estabelecimentos penais. FOTO: Luiz Silveira/Agência CNJ
Dados do Cadastro Nacional de Presas Grávidas e Lactantes, criado e mantido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), apontam que, entre as mulheres presas no Brasil, 466 estão grávidas ou são lactantes. Os dados são relativos a setembro e representam aumento de 10% em relação ao mês anterior. Do total, 294 eram gestantes e 172 amamentam seus filhos em estabelecimentos penais.
Lançado em outubro do ano passado, o sistema acompanha continuamente a situação das detentas nessas condições e, a partir de dados encaminhados pelos tribunais de Justiça, é atualizado mensalmente.
São Paulo é o estado que abriga o maior número de presas gestantes ou lactantes, respectivamente 107 e 57. O Ceará ocupa o segundo lugar, com 25 grávidas e 13 lactantes, enquanto Minas Gerais tem 12 gestantes e 27 lactantes. Nos estados do Amazonas, de Roraima, do Maranhão, do Tocantins e de Alagoas não havia detentas nessas condições no mês de setembro.
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O cadastro disponível no Portal do CNJ é importante ferramenta para que os juízes possam cobrar dos executivos estaduais as providências necessárias para a custódia dessas mulheres, com o objetivo de garantir a proteção das crianças que vão nascer ou que já nasceram enquanto as mães cumprem pena em unidades prisionais.

Visitas

Entre janeiro e maio deste ano, uma equipe do CNJ coordenada pela juíza Andremara Santos, então juíza auxiliar da presidência do CNJ, esteve em 34 estabelecimentos penais, em 26 unidades da Federação, para ver de perto a situação dos locais que abrigam mulheres privadas de liberdade grávidas ou lactantes. Além disso, também foram inspecionadas as condições oferecidas aos bebês que, para serem amamentados, ficam com as mães em presídios. Somente o Amapá não foi incluído no estudo, uma vez que não havia no estado grávidas ou lactantes detidas durante o período do levantamento de dados.
Nas visitas, o CNJ encontrou mães e crianças em acomodações precárias e com alimentação inadequada. Constatou-se também, em algumas unidades, a falta de acesso ao atendimento por ginecologistas.
Os dados coletados deram origem ao Relatório Estatístico Visita às Mulheres Gestantes e Lactantes Privadas de Liberdade. O levantamento inédito aponta que mais de 75% dos estabelecimentos penais apresentavam condições gerais de conservação inadequadas. A respeito do acompanhamento médico das presas durante a gestação e no pós-parto, 64,1% das unidades ofereciam assistência dentro e fora do sistema carcerário, enquanto 20,58% exclusivamente fora do presídio e 14,7% apenas nos próprios estabelecimentos penais.

Parto com algemas

Na maioria das unidades (79,4%), as gestantes também recebiam acompanhamento psicológico. De acordo com o relatório, todos os partos foram realizados em hospitais fora das unidades prisionais. Pouco mais de 20% dos estabelecimentos declararam não assegurar o estabelecido na Lei n. 13.434/2017, que veda o uso de algemas em mulheres durante o trabalho de parto e na fase de puerpério imediato. São eles: Cadeia Pública Feminina de Boa Vista, Centro de Ressocialização Suely Maria Mendonça (RO), Complexo Médico Penal (PR), Conjunto Penal Feminino Consuelo Nassser (GO), Penitenciaria Feminina do Distrito Federal, Unidade Penitenciária Feminina de Rio Branco e Unidade Prisional Feminino de Tocantins.
Em relação à estrutura para os recém-nascidos, 58,82% dos locais visitados contavam com berçários. No entanto, apenas cinco presídios tinham pediatras para prestar atendimento às crianças. Sobre o tempo de permanência dos bebês nas unidades prisionais, foi constatado que 50% permitem a presença dos recém-nascidos até os seis meses de idade, enquanto, em 11% das unidades, as crianças podem ficar com as mães até 2 anos.
Durante as visitas, foram encontradas 33 crianças sem Registro de Nascimento e 10 sem a vacinação adequada. A respeito do destino das crianças após o período que podem permanecer com as mães no presídio, a maioria (92%) é encaminhada à família de um dos genitores.
A partir do resultado e da análise dos dados colhidos em todo o Brasil, o CNJ editou a Resolução CNJ n. 252 (4 de setembro de 2018), que estabelece princípios e diretrizes para o acompanhamento das mulheres mães e gestantes privadas de liberdade. Com base na legislação brasileira e em normas internacionais das quais o Brasil é signatário, como as Regras de Mandela e as Regras de Bangkok, a resolução determina a promoção da cidadania e a inclusão das mulheres privadas de liberdade e de seus filhos nas políticas públicas de saúde, assistência social, educação, trabalho e renda, entre outras.
A norma prevê ainda que o poder público garanta a convivência entre mães e bebês e respeite o período de amamentação exclusiva, no mínimo, nos primeiros seis meses de vida da criança. Além disso, a resolução estabelece que devem ser desenvolvidas ações de preparação da saída da criança do estabelecimento prisional e sensibilização das pessoas ou órgãos responsáveis por seu acompanhamento social e familiar, desde seu nascimento. Outra garantia é a adoção de procedimentos e rotinas da gestão dos estabelecimentos a fim de permitir à gestante e à lactante condições de atendimento às normas sanitárias e assistenciais do Sistema Único de Saúde.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Psicanálise winnicottiana: quais as diferenças em relação a outras linhas?

por  em 
A psicanálise é um ramo clínico teórico que tem a finalidade de esclarecer como funciona a mente humana e ajuda a tratar vícios mentais e neuroses. O ponto central de estudo da psicanálise está na relação entre o inconsciente, o comportamento e os sentimentos vividos pelas pessoas.
Também conhecida por “teoria da alma”, foi criada por Sigmund Freud, um neurologista austríaco que se tornou referência no assunto. De acordo com ele, uma boa parte dos processos psíquicos da mente permanecem em estado de inconsciência e são governados por desejos sexuais.
Dentro desse assunto, este artigo vai tratar da psicanálise winnicottiana, trazendo seu conceito e desvendando um pouco mais sobre seu autor. Confira!

Quem foi Donald Woods Winnicott?

Donald Woods Winnicott foi um pediatra e psicanalista nascido na Grã-Bretanha no ano de 1896. Ele desenvolveu um conceito dentro da psicanálise cuja base está nas relações familiares entre a criança e o ambiente em que ela vive. As ideias usadas por Winnicott são diferentes daquelas atestadas por Freud, outro nome importantíssimo para a psicanálise.
Winnicott dizia que todo mundo tem potencial para se desenvolver e amadurecer, pois isso faz parte da natureza do homem. No entanto, para que esse desenvolvimento aconteça, ele afirmava que o ambiente faz toda a diferença.
Segundo o psicanalista, no início da vida esse ambiente é a função exercida pela mãe durante a maternidade. Para chegar ao seu pleno desenvolvimento, a criança passaria por fases que demonstram dependência até chegar à independência.
De acordo com a sua visão, no começo da vida o bebê não é um ser movido por suas forças internas uma vez que ele é incapaz de usar seus mecanismos mentais. Para o bebê, as forças instintuais são como os fenômenos naturais, que não o movem, mas ameaçam. Portanto, o motor do bebê é o fato de ele estar vivo.
Para Winnicott, o bebê não se relaciona com o seio da mãe por questões biológicas ou por motivos sexuais e tampouco vê o seu pai como seu rival, conforme a teoria de Freud. Ele apenas quer a presença segura da mãe e só adquire a capacidade de usar seus instintos e mecanismos mentais se o seu contato com a mãe for satisfatório.

Qual a diferença entre a psicanálise winnicottiana e a freudiana?

Sigmund Freud, com vários conceitos — como o complexo de Édipo — desenvolveu a Teoria das fases do desenvolvimento psicossexual, que são cinco e começam na infância.
Freud afirmava que as cinco fases eram regidas pelos instintos sexuais e que, durante esse período, a criança se concentra em canalizar as energias em busca de prazer em cada fase e assim a personalidade vai sendo construída. Essas fases são:

Fase oral

Essa fase começa ao nascer e dura até os 18 meses de idade. Nessa fase a boca é o foco de gratificação sexual derivada do prazer de se alimentar do seio da mãe e da mania que todo bebê tem de levar os objetos à boca.

Fase anal

Depois que a criança completa um ano de idade, até os três anos ela começa a focar no processo de eliminação. Os pais começam a ensinar o filho a usar o vaso sanitário, ou seja, a criança passa a comandar os seus instintos eliminatórios, podendo “segurar” ou “liberar” quando quiser.

Fase fálica

Segundo Freud, a fase fálica começa aos três anos e termina aos seis. Durante essa fase cresce na criança um interesse sexual que faz com que ela sinta atração pelo genitor de sexo oposto. Em meninos, a atração pelo sexo oposto leva ao complexo de Édipo, ou seja, a criança passa a ter rivalidade com o pai pelo amor de sua mãe.

Fase latente

O período latente começa aos seis anos e se estende até a puberdade. Durante esse período o desenvolvimento psicossexual é suspenso porque os pais começam a reprimir todo e qualquer impulso sexual que a criança sinta. Portanto, se essa repressão for bem-sucedida, toda a energia da criança será canalizada para a escola, estudos e amigos.

Fase genital

O estágio genital começa na puberdade, quando os desejos sexuais aumentam consideravelmente. É neste momento que os conflitos emocionais e psíquicos começam.
A principal diferença da metodologia de Winnicott em relação à de Freud e outros psicanalistas foi determinar o estudo do bebê e da mãe como “unidade psíquica”. Esse método permitiu observá-los juntos, e não somente analisar o comportamento de ambos separados.
Dessa forma, não é possível descrever um bebê sem mencionar sua mãe, uma vez que a base da criança está nas relações familiares.
Na teoria winnicottiana, um dos conceitos mais importantes é o “good enough mother”, que quer dizer “uma mãe suficientemente boa”. De acordo com essa teoria, se a criança tiver uma boa mãe e for amparada pelo pai, a família será uma base sólida para proporcionar o melhor desenvolvimento da criança.

Qual é a base da psicanálise winnicottiana?

A psicanálise de Donald Winnicott tem com base pelo menos três motivos para afirmar que a formação do “eu” está na família. Veja abaixo quais são eles:
  • a família tem uma disposição maior para ajudar no desenvolvimento;
  • a família não tende a variar muito. É uma constante que dá base ao desenvolvimento da criança;
  • a maioria das famílias possui um grau de tolerância maior para lidar com os períodos difíceis desse desenvolvimento.
Para a psicanálise winnicottiana, a criança nasce totalmente indefesa e a mãe é quem oferece um suporte para que toda a predisposição ao desenvolvimento se concretize. É dessa maneira que a criança consegue alcançar todo seu potencial e desenvolver a sua independência motora.
Winnicott não quer dizer, com isso, que a função do pai é dispensável para o crescimento da criança. A presença paterna é, sim, muito importante, mas é a mãe que dá toda a segurança para o bebê desde a sua fase de colo, por isso a sua presença é tão importante.
As correntes da psicanálise possuem algumas diferenças básicas, mas temos certeza que com este post ficou mais fácil entender um pouco sobre o surgimento e o tipo de método utilizado nesse ramo do estudo do inconsciente, não é mesmo? Qual ramo da psicanálise você acredita ser o mais correto?
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APAV Notícias #91 | Outubro 2018

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#91 | OUTUBRO 2018
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Ponte de Sor acolheu as I Jornadas do Alto Alentejo Contra a Violência
No dia 12 de outubro decorreram as I Jornadas do Alto Alentejo Contra a Violência no Teatro-Cinema Municipal de Ponte de Sor. O evento reuniu cerca de 170 participantes, oriundos de diversas áreas.
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A VÍTIMA DE CRIME TEM DIREITO A:
A vítima de crime tem direito a beneficiar de interpretação gratuita durante qualquer inquirição ou interrogatório realizado pelas autoridades de investigação ou pelas autoridades judiciais, bem como de tradução gratuita de todas as informações indispensáveis ao exercício dos seus direitos, nomeadamente de qualquer decisão de arquivamento do processo. 
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