segunda-feira, 29 de abril de 2013

Discriminação do Aposentado


 João Baptista Herkenhoff
 
A discriminação do aposentado não é uma questão técnica simplesmente. Seria uma questão técnica se envolvesse apenas aspectos contábeis. É questão ética porque ultrapassa os limites de simples considerações de ordem financeira.
Por Ética devemos entender todo o esforço do espírito humano para formular juízos tendentes a iluminar a conduta de pessoas, grupos humanos, povos, sob a luz de um critério de Bem e de Justiça.
Esse critério de Bem e de Justiça, que ilumina a Ética, prescreve que as novas gerações sejam gratas às gerações mais velhas.
A ideia de reverência aos velhos esteve presente em muitas culturas, ao longo dos séculos. E mesmo hoje, quando uma cultura capitalista, monetarista, utilitária, desligada de qualquer compromisso ético, pretende impor-se ao conjunto da Humanidade, ainda assim vozes ancestrais teimam em dizer que a terceira idade merece homenagem.
Recorrendo a notícias de jornal verifico dois fatos que ilustram o que estou dizendo.
A primeira notícia registra o caso de uma aposentada que morreu durante a remoção, por ambulância, de um pronto-atendimento para um hospital.
A idosa teve um mal estar. Não sendo atendida no plantão do pronto-atendimento, foi levada por familiares para o hospital. Mesmo diante de uma crise de pressão arterial, tardaram os primeiros cuidados. Um auxiliar de enfermagem tentou tirar, sem êxito, a pulsação da paciente. Nem essa situação aflitiva evitou que a idosa permanecesse na maca, sem maior atenção. Após apelos insistentes da filha, a presença da aposentada foi notada, mas aí apenas para constatar que havia falecido.
Outro caso ilustrativo é o da criação de um auxílio-saúde para determinada categoria de servidores públicos.
Em que faixa de idade mais pode ser reclamado, com razão e justiça, um auxílio-saúde? Em que faixa de idade as pessoas gastam mais com medicamentos?
Não é preciso convocar especialistas para responder essas duas perguntas. O senso comum dá a resposta. Se considerarmos correto e adequado que servidores percebam auxílio-saúde, os destinatários desse benefício devem ser, em primeiro lugar, os idosos.
Mas quem ficou fora do auxílio-saúde acima mencionado? A resposta a essa indagação não é óbvia, como foi óbvia a resposta única das duas indagações anteriores. Muito pelo contrário. A resposta é surpreendente. Os idosos ficaram de fora. Os idosos não precisam de auxílio-saúde.
Os fatos mencionados neste artigo são circunstanciais, episódicos. Foram apresentados como simples exemplo para que a reflexão não ficasse teórica demais. A substância deste texto, entretanto, é o julgamento ético dos fatos. Esse julgamento ético, de peremptória condenação, ajusta-se a quaisquer situações como as descritas.
 
João Baptista Herkenhoff, 76 anos, Magistrado (aposentado), palestrante por todo o Brasil, escritor. Autor de Dilemas de um juiz – a aventura obrigatória (Editora GZ, Rio de Janeiro).
 
P. S. – É livre a divulgação deste texto, por qualquer meio ou veículo, inclusive através da transmissão de pessoa para pessoa.

Estado e Justiça dão início à implantação do monitoramento eletrônico de presos

Sejus lança nesta semana o edital para a aquisição de tornozeleiras para monitoramento de detentos.  


Uma reunião do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e de Execução de Medidas Socioeducativas do Estado, ocorrida no Tribunal de Justiça do Estado, nesta sexta-feira (26), deu inicio ao processo de implantação do monitoramento eletrônico de presos através de tornozeleiras. 
 
A representante da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) no encontro, Leizielle Marçal Dionízio, diretoria-adjunta da Penitenciária semi-aberta de Cariacica, apresentou o projeto de monitoramento eletrônico que deve ser utilizado pelo Estado, em parceria com o Judiciário, para fiscalização dos detentos. 
 
Têm direito ao dispositivo os presos em regime aberto ou semi-aberto; em prisão domiciliar; e aqueles com saída temporária. Nesta semana a Sejus deve divulgar edital para a contratação da empresa que irá fornecer as mais de 6 mil tornozeleiras inicialmente. 
 
A juíza Elza Maria de Oliveira Ximenes, da Vara de Execuções Penais de Vila Velha, visitou o estado do Pernambuco este mês para conhecer o funcionamento do dispositivo no sistema penitenciário daquele estado. 
 
Ela, que viajou acompanhada da coordenadora do Grupo Especial de Trabalho em Execução Penal (Getep) do Ministério Público Estadual, a promotora de Justiça Viviane Barros Porteli Pioto, verificou que na capital pernambucana, Recife, o número de homicídios caiu depois da implantação do sistema, já que o Estado passa a ter mais controle sobre o portador do dispositivo. 
 
Atualmente, cinco estados utilizam a tornzeleira para monitoramento de detentos, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rondônia e São Paulo. O Paraná iniciou o processo de licitação para aquisição das tornozeleiras em janeiro deste ano e, além do Espírito Santo, também estão em processo de implementação do sistema o Amazonas e o Rio Grande do Sul. 

Seculodiario.com. 28.04.2013

Sentença que mudou a rota de uma vida


João Baptista Herkenhoff
     Dentre as milhares de decisões que proferi na carreira de juiz, há uma que me traz uma lembrança especial.
A protagonista do caso chamava-se Edna.
Hoje, aos 76 anos, sou capaz de me lembrar do rosto de Edna e do ambiente do fórum, naquela tarde de nove de agosto de 1978. Uma mulher grávida e anônima entrou no fórum sob escolta policial. Essa mesma mulher saiu do fórum, não mais anônima porém Edna, não mais sob escolta porém livre.
Após ouvir, palavra por palavra, a decisão que a colocou em liberdade, Edna disse que se seu filho fosse homem ele iria se chamar João Batista. Mas nasceu uma menina, a quem ela deu o nome de Elke, em homenagem a Elke Maravilha.
Edna declarou no dia da sua liberdade: poderia passar fome, porém prostituta nunca mais seria.
Passados todos estes anos, perdi Edna de vista. Nenhuma notícia tenho dela ou da filha. Entretanto, Edna marcou minha vida. Primeiro, pelo resgate de sua existência. Segundo, pela promessa de que colocaria no filho por nascer o nome do juiz. Era o maior galardão que eu poderia receber, superior a qualquer prêmio, medalha, insignia, consagração, dignidade ou comenda.
Edna era humilde e pobre. Sua maior riqueza era aquela criança que pulsava no seu ventre. Ela não me oferecia assim alguma coisa externa a ela, mas algo que era a expressão maior do seu ser. Se a promessa não se concretizou isto não tem relevância, pois sua intenção foi declarada. Se eu encontrasse Edna teria de agradecer o que ela fez por mim. Edna me ensinou que mais do que os códigos valem as pessoas.
Segue-se a decisão extraída do Processo número 3.775, da Primeira Vara Criminal de Vila Velha (ES):
A acusada é multiplicadamente marginalizada: por ser mulher, numa sociedade machista; por ser pobre, cujo latifúndio são os sete palmos de terra dos versos imortais do poeta; por ser prostituta, desconsiderada pelos homens, mas amada por um Nazareno que certa vez passou por este mundo; por não ter saúde; por estar grávida, santificada pelo feto que tem dentro de si, mulher diante da qual este juiz deveria se ajoelhar, numa homenagem à Maternidade, porém que, na nossa estrutura social, em vez de estar recebendo cuidados pré-natais, espera pelo filho na cadeia.
         É uma dupla liberdade a que concedo neste decisório: liberdade para Edna e liberdade para o filho de Edna que, se do ventre da mãe puder ouvir o som da palavra humana, sinta o calor e o amor da palavra que lhe dirijo, para que venha a este mundo tão injusto com forças para lutar, sofrer e sobreviver.
         Quando tanta gente foge da maternidade; quando milhares de brasileiras, mesmo jovens e sem discernimento, são esterilizadas; quando se deve afirmar ao mundo que os seres têm direito à vida, que é preciso distribuir melhor os bens da Terra e não reduzir os comensais; quando, por motivo de conforto ou até mesmo por motivos fúteis, mulheres se privam de gerar, Edna engrandece hoje este Fórum, com o feto que traz dentro de si.
         Este Juiz renegaria todo o seu credo, rasgaria todos os seus princípios, trairia a memória de sua Mãe, se permitisse sair Edna deste Fórum sob prisão.
Saia livre, saia abençoada por Deus, saia com seu filho, traga seu filho à luz, que cada choro de uma criança que nasce é a esperança de um mundo novo, mais fraterno, mais puro, algum dia cristão.
         Expeça-se incontinenti o alvará de soltura.
João Baptista Herkenhoff é Juiz de Direito aposentado, palestrante pelo Brasil afora e escritor. Acaba de publicar: Encontro do Direito com a Poesia – crônicas e escritos leves (GZ Editora, Rio).
É livre a divulgação deste texto por qualquer meio ou veículo, inclusive através da transmissão de pessoa para pessoa.

Alemanha quer criar leis mais rígidas contra o tráfico de pessoas e a exploração sexual


Após anos de disputa, a coalizão de governo de centro-direita da Alemanha concordou em aprovar penas mais duras para o tráfico de seres humanos e a prostituição forçada. 
Segundo informações obtidas pela "Spiegel", os membros da coalizão –composta pela CDU (União Democrata Cristã) da chanceler Angela Merkel, seu partido bávaro irmão, a CSU (União Social Cristã) e o FDP (Partido Democrata Livre), pró-empresas privadas– disseram que um acordo sobre o conjunto apropriado de regulamentações está próximo de ser alcançado.

A reportagem foi publicada na revista Der Spiegel e reproduzida pelo portal Uol, 23-04-2013.

A prostituição é legal na Alemanha, mas a coalizão planeja endurecer as penas criminais contra o tráfico de seres humanos e regular mais rigidamente as atividades comerciais dos bordéis. No futuro, os operadores de bordéis precisarão de autorização especial para abrirem esse tipo de estabelecimento. Além disso, as autoridades serão obrigadas a fiscalizar os padrões de higiene e os proprietários terão seus antecedentes criminais levantados. Mas ainda há resistência por parte da ministra da Justiça, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger (FDP), que quer impedir leis criminais mais duras na indústria do sexo.
Por anos, tanto legisladores conservadores quanto democratas livres pressionaram pela reforma das leis de prostituição aprovadas em 2001 pela coalizão de governo do Partido Social Democrata e do Partido Verde, liderada pelo chanceler Gerhard Schröder. Apesar da legislação ter ajudado a libertar a prostituição da mancha da imoralidade, os especialistas dizem que ela também levou a um aumento acentuado na exploração sexual de mulheres –principalmente porque as autoridades fracassaram em regular apropriadamente o setor. Mais recentemente, um relatório da comissária de Assuntos Internos da União Europeia, Cecilia Malmström, mostrou que o tráfico de seres humanos na Europa aumentou acentuadamente.

Unisinos. 24.04.2013.

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Tintín no es racista


El belga Georges Remi (1907-1983) pasó a la historia del cómic con el sobrenombre artístico que ideó siendo joven a partir de la primera letra de su apellido paterno, seguida de la inicial de su nombre de pila; es decir: R, G, que, pronunciándolo de acuerdo con su lengua materna, el francés, era: Hergé. El famoso creador de Las Aventuras de Tíntín y Milú publicó en blanco y negro las primeras tiras de estos personajes en el suplemento infantil Le Petit Vingtième del diario Le Vingtième Siècle (El siglo XX) en 1929 y, al año siguiente, la historieta comenzó a editarse en formato de libro. En 1930 apareció publicado el segundo volumen de sus obras tituladoTintin au Congo (Tintín en el Congo) que se reeditó en color –corrigiendo parte de su contenido– en 1946.
El argumento de este álbum era muy sencillo: el curioso reportero y su inteligente fox terrier blanco viajan a la colonia belga del Congo para retratar la vida de sus nativos, dar a conocer los animales exóticos y descubrir a una banda de delincuentes, dirigida por Al Capone, que trafica con diamantes. Desde su primera edición, este libro estuvo envuelto en la polémica por dos motivos principales: la violencia que Hergé mostraba con la fauna (llega a utilizar dinamita para matar a un rinoceronte) y el trato racista que, para algunos lectores, otorgaba a esta historia un sesgo xenófobo.
En 2010, la entidad francesa CRAN [Conseil Représentatif des Associations Noires (Consejo Representativo de las Asociaciones Negras)] y un ciudadano congoleño residente en Bélgica, Bienvenu Mbutu Mondondo, denunciaron a los editores de las Aventuras de Tintin por la presunta apología que, en su opinión, contenía este libro, transmitiendo una imagen denigrante de los habitantes de este país centroafricano; pero los juzgados de Bruselas desestimaron su demanda al considerar, tanto en primera instancia como en apelación –el 7 de diciembre de 2012– que Tintin en el Congo no resultaba ofensiva ni racista; por el contrario, los magistrados señalaron que este libro era el testimonio de la historia común de ambos países.
Recordemos, como narró Vargas Llosa, que (…) en febrero de 1885, en la Conferencia de Berlín (…) catorce potencias (…) dieron graciosamente a [el rey] Leopoldo II [de Bélgica] (…) los dos millones y medio de kilómetros cuadrados del Congo, sus veinte millones de habitantes (…) este dominio colonial, el más grande del África, creado por un monarca que nunca pondría en él los pies [El sueño del celta. Tres Cantos (Madrid). Santillana, 2012, pp. 44-45 y 48]. Tras la brutal colonización belga, la República Democrática del Congo se independizó en 1960.

 Criminología y Justicia . Posted: 26 Apr 2013

Alertas de corrupção no governo crescem mais de 20% em 2 anos

O sinal amarelo da corrupção dentro do governo acendeu 45 mil vezes só no ano passado, segundo o relatório de gestão concluído em março pela CGU (Controladoria-Geral da União), principal órgão de controle federal.
A marca é 21,6% maior que os 37 mil alertas de transações atípicas contabilizados em 2010 pela CGU ao monitorar licitações públicas, gastos com cartões, diárias e passagens, além de terceirização na esfera federal.
Para o secretário-executivo da CGU, Carlos Higino Ribeiro de Alencar, o aumento está mais relacionado os novos mecanismos de controle.
"Estamos cada vez mais cruzando dados e informações", disse, comparando o trabalho feito com o das operadoras de cartão de crédito, capazes de identificar padrões e desvios de gastos.
Os alertas das despesas do governo federal se enquadram em 40 tipos de possíveis casos de fraudes e irregularidades com recursos públicos que, para a CGU, merecem ser averiguados.
Entre elas, estão vínculo societário entre licitantes, pregões nos quais a melhor proposta não venceu, gastos acima de R$ 200 com combustível ou de R$ 1.500 com cartão e servidor demitido que vira terceirizado.
Alencar afirma que, dependendo da "trilha", é possível identificar facilmente fraudes como pagamento de pensões e aposentadorias a pessoas mortas ou casos de má gestão como compras de passagens mais caras feitas às vésperas de uma viagem.
O uso de cartões corporativos nos fins de semana também podem se confirmar como ato irregular.
Um dos alertas da CGU foi o da compra de um equipamento para uma nova rede de computadores de uma agência de regulação.
A empresa vencedora ofereceu R$ 17,9 mil, desbancando propostas de R$ 9.700, R$ 9.800 e R$ 11,1 mil. As três foram desclassificadas por não atenderem a todos os requisitos da licitação.
Segundo Higino, é comum empresas não qualificadas oferecerem preços mais baixos para desestimular concorrentes e garantir a vitória de uma associada.
Não há por parte do governo, contudo, um acompanhamento centralizado dos alertas, enviado aos gestores de cada área afetada.
Dos 45 mil alertas registrados pela CGU em 2012, 78% se relacionavam a compras do governo. O restante se dividiu em terceirização (13%) e cartões corporativos (9%).

Fonte: FERNANDA ODILLA - Folha de São Paulo

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