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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Como prevenir fraudes nas micro e pequenas empresas?

O maior problema das micro e pequenas empresas é a falta de recursos financeiros. Diante dessa escassez, como uma organização que muitas vezes não tem recursos para despesas fixas e funções básicas como contabilidade poderia investir em Inteligência e segurança empresarial para prevenção de fraudes corporativas?

Organizações de grande porte têm recursos financeiros para investir em Consultorias de risco e Segurança empresarial para proteção tanto dos ativos fixos quanto dos ativos intangíveis da companhia. Muitas empresas prestam serviços de Inteligência & Investigações corporativas, com destaque para a Pinkerton (www.pinkerton.com), Kroll (www.kroll.com), Control Risks (www.control-risks.com), FTI Consulting (www.fticonsulting.com.br), ICTS (www.icts.com.br) e a Montax (www.montaxbrasil.com.br).

                Mas, micro e pequenas empresas não têm tempo nem dinheiro para ações básicas como pesquisa & desenvolvimento (P&D), marketing & vendas, contabilidade etc., muito menos em prevenção de fraudes.

Primeiramente, como Analista de Inteligência sou forçado a destacar o caráter de investimento de tempo ou dinheiro em segurança corporativa, não de “gasto”. Investimento porque ações simples como uma consulta com um bom profissional de Compliance & Mitigação de riscos, palestras e workshops evitam problemas futuros que poderiam impactar na lucratividade ou mesmo na sustentabilidade do negócio. Informações estratégicas coletadas no mercado ou no próprio banco de dados da micro-empresa pode ajudar o diretor na tomada de decisões, evitando gastos desnecessários. Exemplo: Análise do curriculum e da carteira de trabalho de todos os ex-empregados que fraudaram ou distribuíram reclamações trabalhistas injustas contra a micro ou pequena empresa pode revelar um padrão ou perfil ou característica de destaque que, se identificados, podem contribuir para maior eficácia dos recursos humanos, de forma preventiva.

Recursos Humanos preventivos são a pedra-chave para a prevenção de fraudes corporativas, quer sejam furtos quer sejam estelionatos ou mesmo o estelionato judiciário, aquela fraude praticada por ex-empregados maliciosos que faltam com a verdade em processos trabalhistas que contam com a falta de provas, despreparo de profissionais da área jurídica e erros judiciários para cobrar – e receber – vantagens e benefícios impróprios.

O microempresário já sabe que o Brasil tem uma carga tributária elevada e complexa, porém, o que mais impacta na lucratividade das micro e pequenas empresas ainda são as despesas fixas com mão-de-obra, porque para cada R$ 1 mil de salário deverá lançar em sua planilha de despesas fixas mais R$ 1 mensais, ou seja, aproximadamente 100%. Essa despesa pode ser ainda maior se o volume de empregados for mulheres em idade fértil e acontecer de muitas delas ficar grávidas (independentemente da justa luta contra o preconceito de gênero, essa é pragmaticamente a realidade empresarial do País).

Furtos e fraudes, comuns ou judiciárias, podem impactar até mesmo na sustentabilidade, na existência das micro e pequenas empresas. São contra essas fraudes e consequentes perdas financeiras com materiais, transporte e estocagem e advogados e indenizações trabalhistas que vale-a-pena realizar investimentos com ações preventivas. Sem recursos financeiros, o micro empresário deve ao menos investir um pouco de seu tempo em pesquisa de antecedentes criminais e checagem de antecedentes profissionais de candidatos a vagas de emprego ou fornecedores (background checks), muito úteis a fim de evitar a má-contratação, porque não adianta nada investir em softwares caros e portas blindadas se houver funcionário ou fornecedor desonestos ou corruptos com livre acesso às dependências e ao sistema informatizado da organização.

Sem recursos para consultar um profissional de Inteligência empresarial, o empresário deve ao menos lançar mão da Internet. Com um computador ligado à Internet, qualquer pessoa ou organização podem ser avaliadas em seuConceito moral (honestidade) e Conceito profissional (capacidade técnica). O empresário deve solicitar o curriculum, carteira de trabalho e o CPF do candidato a vaga de emprego. E o Contrato Social, CNPJ, CPF dos sócios e as 3 últimas Notas fiscais emitidas pelo fornecedor. Desconfie daqueles que recusar ou procrastinar a entrega. De posse desses documentos e informações, o contratante pode realizar pesquisa de Fontes humanas de Inteligência (HUMINT) como manter contato com ex-empregadores ou departamento de RH e dos clientes listados nas Notas fiscais, no caso de fornecedores, bem como acessar Fontes abertas de Inteligência (OSINT) como o Google, Facebook, LinkedIn, Telelistas, Infoplex, Escavador, Junta Comercial do Estado de São Paulo, Ibama, Tribunais de Justiça federais e estaduais diversos e muitos outros.

O candidato deve ser consultado sempre pelo nome completo, preferentemente “entre aspas”, enquanto que o fornecedor deve ser consultado especialmente pelo nome e CPF dos sócios, porque a sociedade empresária pode ser recente. Especial atenção para as lacunas curriculares, espaços de tempo muito grandes entre um e outro emprego que podem ter causa o desemprego ou função de menor qualificação, mas, também pode revelar problemas como fraude ou desentendimentos. E cuidado com a origem: Tribunais de Justiça da jurisdição do local de nascimento ou domicílio anterior podem revelar mais que do atual domicílio.

E os empregados devem ser encorajados, incentivados ou até mesmo premiados por denunciar casos de fraude ou corrupção na empresa. Canais de denúncia on-line ou uma simples caixa lacrada instalada em local discreto podem servir de fontes humanas de Inteligência empresarial. A Montax, por exemplo, tem um produto digital chamado Compliance Intelligence, um canal de denúncias antifraude e anticorrupção grátis de fácil instalação no site da micro e pequena empresa. A consultoria de risco recebe as denúncias e o micro e pequeno empresário só paga se quiser receber os relatórios ou investigar as ocorrências. O simples fato de a micro e pequena empresa instalar um canal de denúncia em seu site já diminui riscos de multas pesadas e aumenta as chances de Acordo de Leniência com base na Lei nº 12.846/2013 (Lei Anticorrupção do Brasil) e seu Decreto nº 8.420/2015.

Investir tempo ou dinheiro em prevenção de fraudes corporativas não deve ser privilégio nem obrigação apenas de grandes corporações, e pode resultar em diminuição das perdas e aumento dos lucros das micro e pequenas empresas na busca da sustentabilidade, perenidade no ambiente de negócios do Brasil.


Marcelo de Montalvão
Diretor da Montax e autor de Inteligência & Indústria: Espionagem e Contraespionagem Corporativa.

Contatos:
Christian Baeta

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Justiça Restaurativa: Marco Teórico, Experiências Brasileiras, Propostas e Direitos Humanos

Sugestões: Livros e Revistas

  • AGUIAR, Geraldo Mario de. Sequestro Relâmpago. Curitiba: Protexto, 2008.
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  • ANDRADE. Pedro Ivo. Crimes Contra as Relações de Consumo - Art. 7º da Lei 8.137/90. Curitiba: Juruá, 2006.
  • ANITUA, Gabriel Ignácio. História dos Pensamentos Criminológicos. Rio de Janeiro: Revan/ICC, 2008. Coleção Pensamento Criminológico n. 15.
  • ARAÚJO, Fábio Roque e ALVES, Leonardo Barreto Moreira (coord.). O Projeto do Novo Código de Processo Penal. Salvador: Juspodivm, 2012. 662p.
  • AZEVEDO, Rodrigo Ghiringhelli de; CARVALHO, Salo de. A Crise do Processo Penal e as Novas Formas de Administração da Justiça Criminal. Porto Alegre: Notadez, 2006.
  • BAKER, Mark W. Jesus, o Maior Psicólogo que Já Existiu. São Paulo: Sextante, 2005.
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  • BARBATO Jr, Roberto. Direito Informal e Criminalidade: os códigos do cárcere e do tráfico. Campinas: Millennium, 2006.
  • BARKER, Gary T. Homens na linha de fogo - juventude, masculinidade e exclusão social. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2008.
  • BATISTA, Vera Malagutti. Dificeis ganhos faceis. 2. ed. Rio de Janeiro: Revan/ICC, 2003. (Pensamento criminológico; 2)
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  • CARVALHO, Salo de. Anti Manual de Criminologia. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008.
  • CARVALHO, Salo de. Crítica à Execução Penal - 2. ed. rev., ampl. e atual. de acordo com a Lei nº 10.792/2003. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007.
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  • WUNDERLICH, Alexandre; CARVALHO, Salo (org.). Novos Diálogos sobre os Juizados Especiais Criminais. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2005.
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  • ZAFFARONI, Eugenio Raul. Inimigo no Direito Penal. Rio de Janeiro: Revan, 2007. Coleção Pensamento Criminológico n. 14.
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