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quarta-feira, 20 de maio de 2015

PRECISAMOS FALAR SOBRE BULLYING

por Redação - 20/05/2015
Por Redação
A violência nas relações pessoais acaba, mais do que nunca, tomando proporções incontroláveis atualmente. Todos os dias nos deparamos com atos e cenas de violência presencial ou virtualmente, em jornais, telejornais e até mesmo por meio das redes sociais. A violência é tamanha nos dias de hoje que não mais se limita a um único campo, atingindo também o âmbito escolar. As escolas deixaram de ser um ambiente seguro, moldado pela disciplina e aprendizado, e se transformaram em espaços onde impera a violência, o sofrimento e o medo.
Crianças e adolescentes passam ser vítimas do chamado “bullying”, cujas consequências podem ser devastadoras, desencadeando verdadeiras tragédias como o “Massacre de Columbine” (1999) e mais recentemente, no Brasil, o “Massacre de Realengo”, ocorrido em 7 de abril de 2011, em que Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), armado com dois revólveres e começou a disparar contra os alunos presentes, matando doze deles, com idade entre 13 e 16 anos. O rapaz acabou sendo interceptado pelos policiais e cometeu suicídio após o ocorrido.
Apesar da importância do fenômeno, no Brasil infelizmente ainda não houve uma sensibilização ampla para a necessidade do desenvolvimento de iniciativas e políticas públicas específicas antibullying. Buscando contribuir com a discussão do tema no país, a Redação do Canal Ciências Criminais entrevistou dois especialistas: Cléo Fante, Doutora em Ciências da Educação e Neemias Moretti Prudente, Mestre e Especialista em Direito Penal, Processo Penal e Criminologia, que recentemente lançaram a obra “Bullying em Debate”, pela editora Paulinas.
Cléo Fante, considerada a maior especialista do tema no Brasil destacou que “o bullying enquanto violência é um fenômeno complexo e multifatorial, que requer para o seu enfrentamento ações interdisciplinares, transdisciplinares e intersetoriais, além do comprometimento individual, profissional, comunitário, governamental.” Trata-se, na ótica da professora, de um “fenômeno que se instala em nossas escolas e se reproduz de forma naturalizada, invisível e simbólica. É um sinalizador de que nas famílias, nas escolas e na sociedade, de um modo geral, as relações sociais entre os adultos devem ser reavaliadas, assim como os valores que estamos transmitindo às crianças e adolescentes.  Estes se pautam em nossos exemplos e, sobretudo, na maneira como nos relacionamos e resolvemos os nossos conflitos. Portanto, os exemplos dos adultos são fundamentais para a origem e manutenção do bullying quanto para a sua erradicação.”
Fante ainda acrescentou: “Estudos demonstram que os altos índices de bullying encontram-se nas instituições onde o desrespeito e o autoritarismo dos adultos permeiam as relações sociais, onde não há diálogo e participação democrática da comunidade escolar, onde as regras não são claras ou não são cumpridas, onde os conflitos são resolvidos por meio de violência, onde há violação dos direitos de crianças e adolescentes. Assim sendo, as instituições escolares devem priorizar além da educação de qualidade, um ambiente escolar saudável e seguro, onde todos possam relacionar-se com respeito, valorizar as diferenças e conviver pacificamente.”
A seu turno, Neemias Moretti Prudente sublinhou que o bullying está presente em todas as escolas: “É bom deixar bem claro que em todas as escolas o bullying está presente. As escolas que afirmam que lá não ocorre o bullying é provavelmente onde há mais incidência desta prática. Isso se dá porque a escola (em sua maioria) desconhece o fenômeno ou não quer enfrentá-­lo. Ou ainda quando conhece, não está preparada nem possui recursos (físicos e materiais) para resolver oscasos de bullying.”
Prudente discorreu ainda sobre iniciativas legislativas e políticas antibullying no país: “pouco a pouco tem surgido algumas leis municipais e estaduais visando enfrentar o Bullying, além de tramitar projetos de Lei na Câmara dos Deputados e no Senado Federal sobre o tema. Todavia, a criação de leis apropriadas são ferramentas importantes, mas desde que em conjunto com outras soluções. Medidas antibullying devem ser integradas de componentes preventivos e reativos. A prevenção, através da conscientização/sensibilização sobre o bullying (por exemplo, palestras, jogos, reuniões, exibição de filmes) são importantes. Além do trabalho preventivo, as escolas devem interceder para mudar o relacionamento entre vítima e agressor, através de conversas, negociações, reunião com o país, inclusive inclusive intervenções com o objetivo de promover a conciliação e restauração entre os envolvidos. Por isso, para fazer frente a este tipo de comportamento, é fundamental o desenvolvimento e apoio de programas antibullying (preventivos e combativos), de forma a envolver toda a comunidade escolar em parceria com as diversas instituições e membros da sociedade, inclusive com o apoio dos meios de comunicação. Já está mais do que na hora de a sociedade como um todo tomar consciência da importância do enfrentamento ao bullying.”
Quer saber mais sobre bullying? A Redação do Canal Ciências Criminais organizou uma relação dos principais livros, filmes e documentários para aqueles que buscam tomar mais conhecimento sobre o tema. Veja a seguir.
LIVROS:
FANTE, Cléo. Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. São Paulo: Verus, 2005.
FANTE, Cléio; PRUDENTE, Neemias Moretti (orgs). Bullying em debate. São Paulo: Paulinas, 2015.
CAMARGO, Carolina Giannoni. Brincadeiras que fazem chorar: introdução ao fenômeno bullying. São Paulo: All Print, 2009.
GOMES, Luiz Flávio; SANZOVO, Natália Macedo. Bullying e prevenção da violência nas escolas: quebrando mitos, construindo verdades. São Paulo: Saraiva, 2013.
ROLIM, Marcos. Bullying: o pesadelo da escola. Porto Alegre. Dom Quixote, 2010.
FILMES:
Klass (2007): Joosep é o típico adolescente que virou piada da turma. Inteligente, tímido, sensível e considerado “estranho” pelos demais, Joosep é visto como o saco de pancadas perfeito pelo valentão Anders. Liderados por ele, os garotos – e a maioria das meninas – da turma de Joosep fazem com que ele seja vítima, diariamente, de sessões de tortura física e psicológica. A situação piora quando Kaspar, um dos garotos que sempre marcou posição contra Joosep, muda sua conduta e passa a apoiar o garoto. Sentindo sua liderança ameaçada, Anders lidera os demais para intensificar as humilhações contra Joosep e, agora, também focando suas ações contra Kaspar.
Bullying – Provocações sem limites (2009): O filme conta a vida de um menino chamado Jordi, que sofre bullying por ser esperto e quieto. Ele e sua mãe se mudam para um novo prédio para começar uma vida nova, graças à morte de seu pai. No começo parece tudo ser perfeito, até Jodi entra na nova escola e conhecer Nacho, que transforma sua vida num pesadelo.
Cyberbully (2011): Taylor é uma adolescente comum, que ganha um computador de presente de aniversário e logo cria um perfil em uma rede social. Vítima de cyberbullying, ela passa a ser rejeitada pelos conhecidos no “mundo real” e tenta superar o drama trocando experiências com pessoas que sofreram o mesmo tipo de humilhação.
DOCUMENTÁRIO:
Bully (2011): Em 2011, cerca de 13 milhões de crianças americanas sofreram algum tipo de bullying, seja na escola, no ônibus, em casa, no bairro em que mora ou através de celulares ou da internet. Este documentário busca analisar esta situação, levando em conta tanto as vítimas quanto quem pratica bullying, além do porquê de tamanho silêncio em torno do assunto, tendo como parâmetro da realidade nos Estados Unidos.

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Justiça Restaurativa: Marco Teórico, Experiências Brasileiras, Propostas e Direitos Humanos

Sugestões: Livros e Revistas

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  • ANDRADE, Vera Regina Pereira de. Sistema Penal Máximo x Cidadania Mínima: códigos da violência na era da globalização. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003.
  • ANDRADE. Pedro Ivo. Crimes Contra as Relações de Consumo - Art. 7º da Lei 8.137/90. Curitiba: Juruá, 2006.
  • ANITUA, Gabriel Ignácio. História dos Pensamentos Criminológicos. Rio de Janeiro: Revan/ICC, 2008. Coleção Pensamento Criminológico n. 15.
  • ARAÚJO, Fábio Roque e ALVES, Leonardo Barreto Moreira (coord.). O Projeto do Novo Código de Processo Penal. Salvador: Juspodivm, 2012. 662p.
  • AZEVEDO, Rodrigo Ghiringhelli de; CARVALHO, Salo de. A Crise do Processo Penal e as Novas Formas de Administração da Justiça Criminal. Porto Alegre: Notadez, 2006.
  • BAKER, Mark W. Jesus, o Maior Psicólogo que Já Existiu. São Paulo: Sextante, 2005.
  • BARATA, Alessandro. Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal: introdução à sociologia do direito penal. Trad. e pref. Juarez Cirino dos Santos. 3. ed. Rio de Janeiro: Revan/ICC, 2002. ( Pensamento criminológico; 1)
  • BARBATO Jr, Roberto. Direito Informal e Criminalidade: os códigos do cárcere e do tráfico. Campinas: Millennium, 2006.
  • BARKER, Gary T. Homens na linha de fogo - juventude, masculinidade e exclusão social. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2008.
  • BATISTA, Vera Malagutti. Dificeis ganhos faceis. 2. ed. Rio de Janeiro: Revan/ICC, 2003. (Pensamento criminológico; 2)
  • BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Trad. Maria Helena Kühner. 4. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
  • BRAUN, Suzana. A violência sexual infantil na família: do silêncio à revelação do segredo. Porto Alegre: AGE, 2002.
  • CARNEGIE, Dale. Como fazer amigos e influenciar pessoas. Trad. de Fernando Tude de Souza. Rev. por José Antonio Arantes de acordo com a edição americana de 1981 aumentada por Dorothy Carnegie. 51. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2003.
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  • CARVALHO, Salo de. Anti Manual de Criminologia. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008.
  • CARVALHO, Salo de. Crítica à Execução Penal - 2. ed. rev., ampl. e atual. de acordo com a Lei nº 10.792/2003. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007.
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  • NEVES, Eduardo Viana Portela. Criminologia para concursos públicos. Salvador: Juspodivm, 2013.
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  • NUCCI, Guilherme de Souza. Leis Penais e Processuais Penais Comentadas. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008.
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  • SUMARIVA, Paulo. Criminologia - Teoria e Prática. Niterói: Impetus, 2013.
  • SÁ, Alvino Augusto de. Criminologia Clínica e Psicologia Criminal. prefácio Carlos Vico Manãs. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007.
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  • WUNDERLICH, Alexandre; CARVALHO, Salo (org.). Novos Diálogos sobre os Juizados Especiais Criminais. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2005.
  • WUNDERLICH, Alexandre; CARVALHO, Salo de. Dialogos sobre a Justiça Dialogal: Teses e Antiteses do Processo de Informalização. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2002.
  • YOUNG, Jack. A sociedade excludente: exclusão social, criminalidade e diferença na modernidade recente. Trad. Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Revan/ICC, 2002. (Pensamento criminológica; 7)
  • ZAFFARONI, Eugenio Raul. Inimigo no Direito Penal. Rio de Janeiro: Revan, 2007. Coleção Pensamento Criminológico n. 14.
  • ZAFFARONI, Eugenio Raul. Manual de Direito Penal Brasileiro: Parte Especial. 2. Ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. Vol. 2.
  • ZAFFARONI, Eugenio Raul; PIERANGELI, José Henrique. Manual de Direito Penal Brasileiro: Parte geral. 7. ed. rev. e atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. Vol. 1.
  • ZEHR, Howard. Trocando as lentes: um novo foco sobre o crime e a justiça. Tradução de Tônia Van Acker. São Paulo: Palas Athena, 2008.