domingo, 1 de junho de 2008

A biologia da maldade: estudos identificam alteração no cérebro de serial killers

Novos estudos em neurociência reforçam a tese de que lesões em áreas nobres do cérebro seriam responsáveis, em parte, por comportamentos anti-sociais. Os dados polêmicos foram apresentados no 4º Congresso Brasileiro Cérebro, Comportamento e Emoções, em Bento Gonçalves. Segundo pesquisadores, essas descobertas poderão contribuir para reduzir índices de criminalidade. Porém, estão preocupados com a possibilidade de seus estudos levem a preconceitos e a práticas de eugenia. Outro risco seria criar regimes como o do filme "Minority Report", no qual os cidadãos são punidos antes mesmo de cometer um crime.

O que não se pode mais ignorar, segundo pesquisadores que participaram do encontro, é que os exames de imagem já fornecem pistas se uma pessoa tem maior propensão de agir de forma violenta. O dilema é o que fazer com essas informações.

O neurocientista Adrian Raine, professor da Universidade da Pensilvânia, trabalhou quatro anos em prisões de segurança máxima. Entrevistou e analisou, por meio de exames de imagens do cérebro, 41 assassinos e serial killers. Seus estudos confirmaram que alterações e lesões em estruturas cerebrais, como lobo frontal, córtex pré-frontal e amígdala, afetam as emoções e mudam o comportamento.

Neurocientistas enfatizam que só os fatores genéticos ou as alterações cerebrais não determinam atos anti-sociais. É um conjunto de fatores que forma o quebra-cabeça da violência. Condições sociais, complicações no parto, rejeição materna, abuso na infância, mau tratos são algumas das peças.

- Há chance de mudar a base biológica da violência, mas é preciso cuidado com a eugenia. A História mostra que a biologia e a genética podem ser usadas de forma errada - comenta Raine.


O Globo.

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